Ultimamente, ou sempre ultimamente, tenho/ estive a pensar sobre o porque, o como, o pra que de se fazer música brasileira; canção brasileira. Sempre houve em mim o distanciamento e a aproximação que, em muitas vezes, cegam a análise fria, o descontentamento necessário. Mas é sempre o caminho...
Outros dias, conversávamos sobre a coisa da identidade musical, do porque de se fazer, ou não, música brasileira, e que diabos, afinal, era essa tal de canção brasileira. Da sua confluência e sua ingerência na música mundial; do pop e do rock x música tradicional, folclórica dos povos no mundo; e de como o versus funcionaria no processo de modernização da canção no século XX.
Enfim... As coisas vem, né!? Não sei! Nunca sei... Faço? Penso! Faço.
Mas então... Como medir a canção? O lugar privilegiado, artesanato calculado. Qual o lugar do esmero? Há lugar?
Não sei.
Mas há.
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terça-feira, 18 de agosto de 2009
sábado, 28 de março de 2009
Romulo Fróes

É muito difícil gostar da figura de Romulo Fróes, sobretudo da autopromoção do rapaz. Em geral, quando leio coisas que ele fala ou escreve sinto um Q de delírio ou desespero:
“Não gosto de coisas por diversão. Esse negócio de dizer que um disco foi feito sem pretensão não dá. Meu objetivo é ser o maior artista brasileiro de todos os tempos, abaixo do Tom Jobim.”
Ontem de noite, resolvi, depois de ouvir muita coisa pelo Myspace, baixar o disco novo dele No Chão, Sem o Chão. Confesso, surpreendeu.
No entanto, no disco um (sim, é um álbum duplo), Cala Boca Já Morreu, que a intenção do paulista foi dar mais liberdade para ótima banda que o acompanhou (Fábio Sá – baixo; Guilherme Held – guitarra; Curumin – bateria), muitas vezes a canção e o jeito de cantar e tocar de Romulo soa descolado da roupa roqueira que a banda dá. Por muitas vezes, aguarda-se ansioso pelo solo de guitarra...
Romulo, ficou conhecido como um sambista. Eu na verdade, nunca ouvi samba ali, como nunca ouvi samba em Marcelo Camelo. Ouço o traço peculiar que a canção no Brasil desenvolveu. A ideia, já antiga, de vestir a canção brasileira com guitarras tem sido uma constante no cenário. Caetano viu isso e fez a coisa soar bem (em breve Zii e Zie nas lojas, ou nos blogs). Mas muitas vezes a guitarra como símbolo de rebeldia contra a canção, a brasilidade, soa imaturo. E é isso que muitas vezes aparece no disco um...
No disco dois, Saiba ficar bem, o jeito paulista de compor aparece bem claro. Ouve-se mais Romulo e menos banda (afinal, era esta a intenção dele). E aí dá pra sacar quem é o cara. As canções são bonitas, muitas delas, muito bonitas, bem feitas, fluidas.
Tudo muito simples. E aí que Romulo não consegue se medir. A música dele é bonita por que é simples, e sua pretensão é feia pra burro. Enfeia sua música...
O que sobra? Uma banda muito boa, bons letristas e simplicidade. Como seria bom que Romulo aprendesse a deixar de tentar ser ambicioso...
Romulo Fróes - Myspace
Baixe!
Calado (2004)
Cala Boca Já Morreu (2009)
Saiba Ficar Quieto (2009)
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